Em busca de Dioniso: uma experiência em Cunha/SP
Aproveitando que o mês de setembro está quase chegando ao fim, trago aqui uma reflexão sobre uma viagem que fiz para a cidade de Cunha neste mês.
E falando em viagem, para mim, viajar é algo muito relacionado a Dioniso, já que em seu mito, o Deus foi também um peregrino que passou por muitos lugares levando sua mensagem e seus saberes sobre o vinho. E viajar é uma forma também de explorar, de expandir nossa experiência além do que nos é conhecido, de conhecer outras culturas, outras formas de ser e viver. Viajar também pode ser uma experiência dionisíaca, se você quiser, de celebrar o agora, sentir com o seu corpo a realidade que se apresenta, os sabores e cheiros diferentes de cada lugar.
E fazendo um paralelo com Dioniso e as viagens, podemos associá-lo ao arquétipo de Sagitário, o explorador, aquele que está sempre à procura de novas experiências, como uma forma de ampliar seu horizonte, tanto interno quanto externo, pois conhecer mais é conhecer também mais a si mesmo. E quem sabe após viver, experimentar, e ter a sua própria opinião sobre as experiências, se tornar, então, um contador de histórias.
E foi exatamente com esse espírito sagitariano e com Dioniso em mente, que eu fiz uma viagem até Cunha/SP. Uma cidade em que um dos principais atrativos é o lavandário, uma plantação de lavandas, os ateliês de cerâmica artesanal e belas paisagens nas montanhas.
E, claro, que eu não poderia deixar de transformar o roteiro em uma experiência dionisíaca. Viajar por si só já nos abre ao universo do deus, pois nos proporciona o prazer de viver e experimentar ao conhecer um novo lugar, com suas peculiaridades, sabores e cultura próprios. Isso sem falar na oportunidade em estarmos presente no agora, entregues ao inesperado, sentindo nosso corpo, e através disso, fazer os nossos próprios registros sensoriais. Dioniso nos convida a isso: centrar nosso próprio corpo no agora, e desfrutar do prazer que é estar vivo.
E estar nesse estado de entrega à vida é estar aberto também aos imprevistos. Pois, por mais que uma viagem esteja planejada, há detalhes que não estão sob nosso controle. Aqui cabe bem a filosofia 'carpe diem quam minimum credula postero': aproveite o dia de hoje e confie o mínimo possível no amanhã.
Durante a viagem, por exemplo, alguns imprevistos como o mau tempo, o trânsito e um acidente, infelizmente, atrapalharam o roteiro, mas eu não me permiti ficar chateada ou arrependida de ter ido, e permiti que tudo fluísse como deveria ser.
Na página no instagram @deus.dioniso, dedicada ao universo do deus, eu compartilhei um post mais detalhado com as minhas impressões dionisíacas de experiências que vivi na cidade de Cunha/SP, como a visita ao lavandário, o comércio de cêramicas ou a degustação do sorvete de lavanda.
Por aqui vou deixar a experiência de viajar como uma forma de te inspirar e ampliar suas percepções sobre a própria vida. E como podemos permitir que a vida nos atravesse, e assim nos reconectar com nós mesmos neste mundo cada vez mais acelerado e quase sempre desconectado do agora.
Com o relato dessa viagem, podemos ver que podemos encontrar Dioniso não somente nas imagens e textos, mas em como a vida nos atravessa, e nos toca, muitas vezes em momentos simples como esse.
Evoé!
Camila C. Moscardini